Fui demitido por justa causa. Posso recorrer?
- Thiago Oliveira Advocacia
- há 2 horas
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Receber uma demissão por justa causa pode ser uma experiência preocupante, principalmente porque essa modalidade de desligamento reduz significativamente algumas das verbas normalmente recebidas em uma dispensa sem justa causa.
Mas é importante saber que a justa causa não deve ser aplicada de maneira arbitrária.
A legislação estabelece situações específicas que podem justificar a punição mais grave aplicada ao trabalhador.
O que é demissão por justa causa?
A justa causa ocorre quando o empregador encerra o contrato de trabalho atribuindo ao empregado uma falta grave.
O artigo 482 da CLT apresenta diversas hipóteses que podem justificar a justa causa, como determinadas situações de improbidade, abandono de emprego, indisciplina ou insubordinação, entre outras.
Isso significa que a empresa precisa ter fundamento para aplicar a penalidade.
Não basta simplesmente afirmar que o trabalhador cometeu uma falta grave.
Toda justa causa é válida?
Não.
A validade da justa causa depende das circunstâncias concretas.
Em uma eventual discussão, podem ser analisados fatores como:
o que realmente aconteceu;
a gravidade da conduta;
as provas existentes;
a proporcionalidade da punição;
o histórico profissional;
a existência de advertências ou suspensões;
a proximidade entre a falta e a punição;
as circunstâncias específicas do caso.
Uma punição muito grave aplicada por uma conduta que não possui gravidade suficiente pode ser questionada.
O que recebo se a justa causa for mantida?
Na justa causa, o trabalhador normalmente não recebe as mesmas verbas de uma demissão sem justa causa.
Em regra, são devidos o saldo de salário e as férias vencidas acrescidas de 1/3, quando existentes.
Já determinadas verbas típicas da dispensa sem justa causa não são devidas nessa modalidade, como o aviso-prévio e a multa de 40% do FGTS.
Também existem consequências em relação ao saque do FGTS e ao seguro-desemprego.
Posso contestar a justa causa?
Sim.
Se o trabalhador entende que a justa causa foi aplicada de forma indevida, pode buscar a análise jurídica da situação e, conforme o caso, discutir judicialmente a modalidade da dispensa.
Se a justa causa for afastada, a situação pode ser reconhecida como outra modalidade de encerramento do contrato, com possibilidade de pagamento das diferenças correspondentes.
Por isso, documentos são muito importantes.
Quais provas devo guardar?
Se você recebeu uma justa causa, procure guardar:
comunicado de dispensa;
advertências;
suspensões;
e-mails;
mensagens;
documentos internos;
conversas com superiores;
comprovantes;
registros de ponto;
nomes de possíveis testemunhas.
Não apague conversas ou documentos relacionados aos fatos.
Um advogado pode analisar se a justa causa foi correta?
Sim.
Uma análise jurídica pode verificar o motivo apresentado pela empresa, os documentos existentes e as circunstâncias em que ocorreu a dispensa.
Isso não significa que toda justa causa será revertida.
O objetivo é verificar se existem fundamentos e provas para questionar a penalidade.
Conclusão
A justa causa é uma penalidade grave e, por isso, deve ser analisada com cuidado.
Se você recebeu uma justa causa e acredita que a punição foi injusta, exagerada ou baseada em fatos que não aconteceram como a empresa afirma, não ignore a situação.
Uma análise dos documentos pode ajudar a entender se a justa causa foi aplicada corretamente e quais alternativas jurídicas podem existir.
Perguntas frequentes
A empresa pode me dar justa causa sem me avisar?A situação depende do motivo e das circunstâncias. A legislação não exige uma advertência anterior em todas as hipóteses, embora a análise da proporcionalidade e das circunstâncias seja relevante.
Posso receber seguro-desemprego após justa causa?Em regra, a demissão por justa causa não gera direito ao seguro-desemprego.
Posso sacar meu FGTS após justa causa?Em regra, a justa causa não autoriza o saque do FGTS pelo motivo da rescisão.
Base legal
CLT, especialmente artigo 482; legislação do FGTS; Lei nº 7.998/1990.


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